CENTRO CULTURAL E TURÍSTICO REGIONAL SERÁ INAUGURADO HOJE
Na reinauguração do Grande Hotel Muriahé, agora, Centro Cultural e Turístico Regional “Dr. Pio Soares Canêdo, nesta sexta-feira, uma extensa programação cultural que vai até sábado. O evento vai contar com a presença do vice-governador, Antônio Augusto Anastasia, entre muitas autoridades regionais. Saiba mais sobre a história desse patrimônio histórico do município e sobre o homenageado. SAIBA TODA A HISTÓRIA DO GRANDE HOTEL MURIAHÉ…
Pio Canêdo, como era conhecido, foi um importante político da cidade que chegou a ser vice-governador de Minas durante o governo de Israel Pinheiro. Sua trajetória política passa pela Câmara de Vereadores de Muriaé, pela Prefeitura Municipal, Assembléia Legislativa e Palácio da Liberdade.
O prédio é o ícone máximo de nossa bela arquitetura e referência de beleza para os que nos visitam, possui importância cultural artística e histórica de grande relevância, o que certamente embasou seu tombamento em nível municipal.
O Grande Hotel Muriahe foi construído no final do séc.XIX e a obra finalizada em 1905 (data impressa na fachada), pelo Coronel João Ventura Júnior, imigrante português e importante comerciante de café. Inicialmente abrigou em seu andar térreo lojas de comércio variado e no andar superior a residência do Coronel Ventura. Porém, devido ao tamanho do prédio, o andar superior tornou-se um hotel para abrigar os comerciantes de café que chegavam pela estrada de ferro. Entre os anos de 1915 a 1920 funcionaram no andar superior dois colégios: Collégio Maria Antonieta (feminino) e Collégio Dr. Vieira (masculino).
O prédio, em estilo Neoclássico possui ricos elementos artísticos trazidos da Europa como as três estátuas em porcelana que arrematam a sua parte superior, confeccionadas por José Pereira Valente, artesão da região do Porto – Portugal. Suas figuras representam as Artes (à esquerda), o Comércio (ao centro) e a Indústria (à direita). Toda parte artística do prédio foi executada por artesãos italianos. O sistema construtivo utilizado é tipicamente português. O esmerado tratamento concedido à fachada, é base para suposição da participação de artistas de inequívoca especialização e maestria.
Por sua beleza e imponência, tornou-se ponto de convergência da sociedade local para festejos, bailes, reuniões, saraus e até mesmo recitais de piano, palco de eventos culturais e sociais como casamentos, batizados e apresentações diversas em que sua bela fachada aparecia como pano de fundo para fotos as mais variadas. Em meados de 1922 regressando a Portugal, Ventura doou o imóvel à sua filha Joana Valdevies Ventura de Almeida Policarpo. A cidade girava em torno do café. Há mais de um século todos paravam para assistir, quando o trem chegava, a entrada dos elegantes comerciantes hóspedes do hotel.
Ele representava o movimento da região em seu ápice da “cultura café com leite”. A política também esteve sempre presente em seu entorno, realmente ele se impunha transmitindo a solidez de suas fachadas. Em 1939, na visita de Getúlio Vargas ao município, em frente ao Grande Hotel, bandeiras da República foram estendidas em suas sacadas, onde ele foi aclamado. A decadência deste imóvel veio junto com a da cultura cafeeira. Há meio século encontrava-se abandonado, visto que o segundo pavimento, sem conservação devido à ausência de hóspedes, teve seu uso inviabilizado. O primeiro pavimento, térreo, virou um comércio confuso que o descaracterizou parcialmente com seus letreiros e marquises ferindo e deteriorando sua bela arquitetura.
O edifício apesar das descaracterizações sofridas do longo dos anos manteve seu uso original, abrigando diversos estabelecimentos comerciais no térreo. A partir daí o hotel encerrou suas atividades por falta de conservação, passando a edificação a manter apenas o térreo comercial funcionando com suas oito lojas. O telhado original já havia sido substituído por telhas de amianto, desde a década de 60.
INCÊNDIO: O Grande Hotel Muriahé foi tombado pelo municipio em abril de 1997. Menos de um ano depois, em fevereiro de 1998, um incêndio de causas inexplicáveis abalou seriamente a estrutura da edificação, parando toda a cidade. Esse fogo queimou não só suas belas esquadrias, tábuas de piso e seu telhado, como também a presença das lembranças da origem da cultura de uma região, ficando em risco de eminente desabamento. A calçada e a rua precisaram ser interditadas e a menor vibração do trânsito aumentava as fissuras. A fachada frontal tão preciosa deslocou-se das laterais. A edificação foi escorada e assim permaneceu por mais de um ano. Ao longo deste tempo o projeto arquitetônico de restauro e reciclagem interna concebido em 1997, quando do seu tombamento, foi detalhado, encaminhado e aprovado pelo MINC, Ministério da Cultura, e publicado no Diário Oficial da União de 23/07/99. Foi encaminhado também para a Secretária Estadual de Cultura, através da Lei de Incentivo a Cultura (ICMS), e para o Fundo Nacional de Cultura (FNC) conseguindo recursos para a obra.
A obra de restauração iniciou-se no final de 1999, e foi cumprida a primeira meta com verba enviada pelo FNC (Fundo Nacional de Cultura) para consolidar a estrutura, afim de que o prédio não ruísse. Outras captações de recursos e doações para fins culturais viabilizaram um desenvolvimento maior com a parceria da então Cia Cataguases- Leopoldina e Usiminas .
Em janeiro de 2001, esse processo foi interrompido tendo sido feito na época um comodato com o proprietário que foi repassado à Fundação Ormeo Junqueira Botelho da Cia. Força e Luz Cataguases - Leopoldina que se comprometeu a terminá-la. AGRADECIMENTOS A ALEXANDRE GOMES, ASSESSOR DE COMUNICAÇÃO DA FUNDARTE MURIAÉ E RENATO GALLUZZI, ASSESSOR DE IMPRENSA PREFEITURA DE MURIAÉ.
Comentários
Marco Antônio,valorizo pessoas com você,que expressa em primeira mão um amor verdadeiro pela nossa cidade através deste jesto.Quando o ser humano passar a ver o mundo da formar que você ver,tenho certeza!as pessoas iriam ter mais orgulho de si proprio e mais amor pela vida ,parabens meu amigo que deus o proteja.
Parabéns pela cobertura, Silvan.
Mas gostaria de reclamar da organização da festa de inauguração:
- moradores do antigo BNH viram estilhaços de fogos passando rentes às suas casas;
- muitos fogos estouraram em baixa altitude (talvez a chuva tenha influenciado, não sei);
- colocou-se um poste de iluminação na parte de trás, no meio do terreno abandonado, mas duas luzes falham consecutivamente no escadão, tornando-o muito escuro à noite;
- o lixo que o comércio coloca no corredor final do escadão também incomoda bastante e impede o trânsito de pedestres, principalmente quando o Bokas e o Deco resolvem lavar suas mesas e cadeiras, encharcando todo o local (e muitas vezes faz lama)
há mais coisas… é só observar…
Lindo o Grande Hotel, mas vamos olhar um pouco para a segurança pública =)
Muito obrigado Paulo
Fico muito feliz em receber o apoio.
Isso só nos faz ter a certeza que estamos no caminho certo.
Precisamos politizar nossa sociedade, que de tantas decepções acabou preferindo se calar.
Isso é perigoso para o exercício da democracia, pois acaba virando omissão.
Muitos não entendem e acham que queremos ofender, mas a única coisa que pretendo é provocar a sociedade a discutir seus problemas sem bairrismo, paixões políticas, tentando ser imparcial.
Um abraço!
Sempre achei esta edificação muito bonita. Não sabia tanto de sua história como fiquei sabendo agora lendo o artigo acima.
parabéns a Muriaé por preservar obra tão valoroza.
Apenas não gostei do nome que deram ao Centro Cultural.
“Centro Cultural e Turístico Regional “Dr. Pio Soares Canêdo”. Com todo respeito a familia a a memoria de Pio Canedo…














Um belo presente para Muriaé!
Que sirva de lição para os proprietário de imóveis antigos e históricos.
Precisamos valorizar nossa cultura e através da arquitetura é um dos caminhos.
Meus parabéns a Muriaé!