A BORRACHA MURIAEENSE

REPORTAGEM ESPECIAL – MURIAÉ-MG

O município de Muriaé já é destaque na produção de borracha em Minas Gerais. Nossa reportagem visitou uma das grandes plantações, a da Fazenda Boa Esperança, do empresário Lael Varella, localizada próxima a cidade. Lá fomos recebidos pelo Técnico Cristiam Alves, da empresa de consultoria e assistência técnica, PLANTHEC, pelo gerente, Pedro Paulo e pelo seringueiro, Jefferson de Jesus. Em quatro fazendas da Família Varella, são cerca de 200 mil árvores plantadas, produzindo em torno de 320 toneladas/ano.

O total no município de Muriaé chega a 300 mil árvores de seringueira, ocupando uma área de 600 hectares. O produto vai para São Paulo, e mais de 90% da borracha produzida no Brasil vão para a fabricação de pneus. O preço da borracha é regulado pelo mercado internacional e há uma variação de acordo a oferta e a procura e o valor do dólar. Para saber mais sobre este cultivo, procuramos uma das pioneiras na cidade de Muriaé, a sitiante, Jozélia Varella, que somente no Sítio Buganvília, tem uma produção de 80 toneladas/ano de borracha, média parecida com a das outras fazendas produtivas no município.

“Tudo começou há 12 anos, quando comprei o Sítio Buganvília, que já tinha uma plantação antiga, de 25 anos de idade, e como não sabia muita sobre a cultura da borracha, passei a administração para uma cooperativa de seringalista do Espirito Santo. Com o passar do tempo, vimos que estava dando certo e com retorno econômico satisfatório, passamos a administrar o plantio por conta própria. Mais adiante, passamos a produzir mudas de seringueira no próprio sítio para ampliar a área de plantio. Foram plantadas inicialmente 12 mil mudas, no ano seguinte mais 8 mil mudas e por fim mais 3.500 no ano de 2015, somando mais 4.500 do plantio mais antigo. Hoje temos 28 mil árvores de seringueira no Sítio Buganvília”, disse Jozélia.

A partir daí o seringal foi ganhando força no município de Muriaé, pois foi aderido também pela Família Varella, que hoje possui cerca de 200 mil árvores plantadas, em 400 hectares de área em quatro propriedades.

O téc. Cristiam Alves, da PLANTHEC, o seringueiro, Anderson e o ger. Pedro Paulo

Como incentivo desta cultura e também para mostrar resultados positivos, foi realizado em 2013, no Sítio Buganvília, de Jozélia Varella, um Dia de Campo para mais de 200 pessoas, entre elas autoridades como o secretário de Agricultura de MG, prefeitos da região, vereadores e agricultores. O evento contou com o apoio da EMATER-MG e da multinacional Michelin, que cederam técnicos para apresentar conhecimentos teóricos e práticos sobre o manejo da seringueira. A imprensa local e regional esteve presente na ocasião, inclusive o Site Silvan Alves.

“Somente no Sítio Buganvília, a produção anual chega a 80 toneladas. Nosso produto, a borracha natural, atualmente é negociado com uma usina de beneficiamento de borracha do estado de São Paulo. É transportada em “coágulos” látex coagulado, em caixas plásticas, onde foram recolhidos das tigelas que ficam fixadas nas árvores. A borracha fica nas caixas em média cinco dias para secar mais, visto que no próprio látex, há uma grande quantidade de água, então quanto mais a borracha seca, mais qualidade ganha, e melhor o preço pago pela empresa compradora.

A borracha é recolhida, pesada e carregada a cada 30 dias. Na usina de beneficiamento, passa um processo de desaglomeração, lavagem, trituração por duas ou três vezes e mais lavagem. Depois são colocadas já granuladas, em caixas de inox, onde irão passar por um tempo em forno aquecido com a temperatura regulada para a borracha adquirir viscosidade e elasticidade ideal, exigida principalmente pelas fabricantes de pneus que absorve mais 90% da borracha produzida.

Outros produtos que são fabricados com a borracha natural são luvas cirúrgicas, balões de aniversário, bicos de mamadeiras, borrachas escolares, preservativos, muitos brinquedos, sola de sapato, sandálias, mercado de autopeças como tapetes, soleiras, bieletas, buchas, batentes, coifas, coxins, frisos e molduras e muitos outros.
Atualmente o Brasil produz apenas 40% do que se consome, então ainda importa 60% de borracha para atender as demandas, principalmente das fabricantes de pneus. Muitas das vezes, essa borracha importada tem um valor menor do que a produzida aqui” concluiu nossa entrevistada, Jozélia Varella.

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12 Comments

  1. Muitissimo interessante a reportagem. Mostra o quanto o empreendedorismo em Muriaé é forte.
    A diversificação da economia local é um fator que realmente merece destaque.
    Faltou porem, contar como tudo começou. foi através de então prefeito Paulo Carvalho, que juntamente com médios e pequenos produtores que tiveram a coragem de implementar esta cultura. antes porém, outro pioneiro, o Sr. Sergio, que trouxe esta cultura para nossa região.
    A propriedade da Sra. Josélia foi comprada de um dos pioneiros: o Prof. Abinar.

    1. Muito bem Antônio Eugenio, se tiver contato ou a família ter registros, será um prazer contar a história e até visitar as fazendas pioneiras

      1. É o empreendedorismo: tem um terreno, tem empregados e a necessidade das industrias e fábricas!
        Mas ninguem se toca que entre as 10 profissões mais perigosas está o do extrator de borracha, o serigueiro. Com 5 anos de trabalho o pulmão do trabalhador já começa a ficar com menos ar pois a borracha vai impregnando até começar a faltar o ar…. tenso!

  2. Em Boa Família há um seringal em produção a quase 30 anos,tive a felicidade de trabalhar lá por 6 anos e hoje mesmo em outro emprego voltei a sangrar como um complemento de renda e por ser uma paixão também.

  3. Boa noite. Amigo precisa ter mais conhecimento da cultura. Trabalho há 22 anos com a cultura , inclusive trabalhei na Multinacional Michelin, supervisionando todos os trabalhos dos Seringueiros. Pela primeira vez vejo alguém comentando esse tipo de situação, em lugar nenhum ouvir falar sobre isso. Na Fazenda da Michelin na Bahia, com mais de 300 Seringueiros nunca que aconteceu esse tipo de situação. Hoje tenho amigos que já aposentaram com está profissão e não tem nenhum problema de saúde.

  4. Gostaria de fazer uma ressalva sobre o comentário do Sr. Francisco Coelho. Dizer que uma é uma total falta de conhecimento desse senhor. Esse problema a que fez referência acontecia no século passado na região amazônica, berço da Seringueira, quando se usavam um processo de defumação para preparar a borracha para ser exportada. Há mais de um século isso não se usa mais.

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