Linhas ferroviárias da ZM nos planos de escoamento de produção de Minas e Porto do Açu

Assunto debatido nesta quarta pela Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras

REUNIÃO DESTA QUARTA (23) NA ALMG. Possível integração com Porto do Açu, no estado do Rio de Janeiro, alavancaria escoamento de produção mineira. Participantes de audiência pública da Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) defenderam, nesta quarta-feira (23) a retomada da Linha Mineira, antiga ferrovia que sai da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e passa pela Zona da Mata, chegando até Recreio, ainda em Minas Gerais.

Durante a reunião, solicitada pelos membros efetivos da comissão, foi enfatizado que uma reestruturação dessa linha e sua conexão com trechos no estado do Rio de Janeiro poderiam viabilizar uma ligação com o Porto do Açu, empreendimento da Prumo Logística baseado em São João da Barra (RJ). Dessa forma, haveria melhorias no escoamento da produção mineira.

O gerente de Logística do Porto do Açu, Rômulo Calzavara de Sousa, defendeu investimentos na Linha Mineira. Ele destacou que o Porto do Açu apoia a iniciativa no que estiver ao seu alcance. “Já sabemos, por exemplo, que o Porto de Vitória (ES) não suportará mais de 7 milhões de toneladas de grãos. O investimento na Linha Mineira será importante para lidar com o excedente dessa produção de grãos”, explicou. Ele acrescentou que outro produto que poderá ser transportado dessa forma é a bauxita.

O diretor de Terminais e Logística do Porto do Açu, João Paulo Araujo Braz, relatou que o porto está conectado por transporte marítimo, aeródromo, oleodutos e gasodutos, rodovias e ferrovias. Em sua opinião, a ferrovia representa uma conexão importante para longo prazo, que vai possibilitar a expansão do porto.

“O transporte ferroviário equilibra o sistema portuário brasileiro, reduzindo os custos do agronegócio, da siderurgia e da construção civil, beneficiando os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Goiás”, enfatizou.

Segundo o deputado João Leite (PSDB), a Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras, presidida por ele, tem a expectativa de retomada da Linha Mineira, que, conforme contou, foi utilizada pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e se encontra abandonada. “Sobretudo com a possibilidade de se conectar com a potência que é o Porto do Açu para escoar a produção da Zona da Mata mineira”, enfatizou.

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O deputado Roberto Andrade (Avante), que é relator da comissão, enfatizou que a Zona da Mata está retomando seu desenvolvimento e que precisa de alternativas para escoar sua produção. Ele citou que a região tem aumentado sua exploração mineral.

O vice-presidente da comissão, deputado Gustavo Mitre (PSC), e os deputados Zé Reis (Pode) e Coronel Henrique (PSL) reforçaram o potencial de Minas Gerais e defenderam investimentos em ferrovias do Estado. Os parlamentares aprovaram requerimento para realizarem uma visita ao Porto do Açu.

Metade da carga transportada pelo porto tem origem ou destino em Minas. O diretor de Terminais e Logística do Porto do Açu, João Paulo Araujo Braz, destacou que, em 2019, o porto movimentou 43 milhões de toneladas, sendo que mais de 50% tiveram origem e destino em Minas.

João Braz salientou que o Porto do Açu, que tem cinco anos de operação, só fica atrás do de Santos, em São Paulo, e de Paranaguá, no Paraná. “Grande parte do sucesso do porto se dá pelo sucesso da indústria mineira”, comentou. Ele acrescentou que, quando estiver totalmente ocupado, o porto terá ainda mais relevância para Minas.

Em sua apresentação, ele abordou a diversidade de serviços oferecidos pelo Porto do Açu, com vocação para setores de minério, óleo e gás. Sobre o setor de minério, o porto movimentou 23 milhões de toneladas em 2019 e a capacidade é de movimentar 26,5 milhões de toneladas.

Em relação ao escoamento de óleo, atualmente, 25% do petróleo exportado pelo Brasil é movimentado por esse terminal, conforme contou João Braz. Ele acrescentou que há capacidade para movimentar 1,2 milhão de barris/dia e que é feita a expansão para armazenar até 10 milhões de barris.

O diretor também falou sobre a vocação do Porto do Açu para o setor de gás e energia. O porto representará o maior parque termelétrico a gás natural da América Latina, com capacidade instalada de 3 gigawatts (GW). O início de operação será em 2021. Segundo João Braz, o porto também está atuando no escoamento de fertilizantes e tem o menor custo logístico para atender a esse mercado para a cultura do café, o que terá relevância para Minas.

Requerimentos aprovados – Durante a reunião, foram aprovados quatro requerimentos para a realização de audiências públicas. Elas devem abordar uma atualização de como estão os estudos do Plano Estratégico Ferroviário de Minas Gerais; a homologação da multa referente ao abandono dos trechos ferroviárias concedidos à Vale; a participação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no processo de renovação da concessão ferroviária da Vale; e os investimentos nas ferrovias do Estado.

Fonte: ALMG/Fotógrafo: Willian Dias

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6 Comments

  1. Ótima notícia a possibilidade de retomada do transporte ferroviário na região. A Zona da Mata Mineira está totalmente excluída do desenvolvimento econômico do Estado. Juiz de Fora, a antiga Manchester Mineira, ocupa a quinta posição na lista do PIB mineiro. Muriaé está na posição 54. Essa diferença é visível para quem viaja pelo Estado, apenas olhando as indústria na beira das estradas.

  2. Seria uma ótima coisa se essa ferrovia tornar-se realidade. Seria menos caminhões lançando gaz carbônico na atmosfera e também diminuiria o fluxo deles nas rodovias. Já para o transporte da bauxita contribuiría para uma logística mais eficiente. A mineradora CBA bem que poderia ajudar nos custos dessa obra, já que ela seria beneficiada.

    1. Espero que a linha férrea passe na porta de sua casa trazendo tudo que você precisa, já que os caminhões só servem pra poluir e atrapalhar o trânsito né…

  3. Boa tarde! Essa decisão causará algum impacto na linha turística que estava sendo viabilizada? A propósito, que fim levou a linha turística? Vai se tornar realidade?

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